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Milton Montenegro

 -  16 / set

O carioca Milton Montenegro começou a brincar aos sete anos de idade com o que mais tarde se tornaria seu ofício. A fotografia.

Aquela câmera-caixote Kapsa que ganhou ainda na infância despertou uma vontade e um talento no fotógrafo que vive em busca de novos meios e desafios dentro de sua profissão.

Abaixo um bate-papo de Milton Montenegro para o Jornal da Fotografia, onde conta um pouco de sua relação com a fotografia, sua relação com os avanços digitais e o seu olhar sobre a nova construção da imagem nos dias de hoje.

 

 

JN: Como a fotografia entrou na sua vida?

MM: A Fotografia me fascina desde a infância. Observava com atenção as fotos feitas por meu pai, um amador avançado, e, no meu aniversário de 7 ou 8 anos, ganhei de minha avó uma câmera-caixote Kapsa como presente. Aos 21 anos, fui para Londres com o objetivo de estudar Cinema. Lá, através dos livros e galerias, conheci e fui impactado pelo trabalho dos grandes mestres: Kertész, Avedon, Diane Arbus, Irving Penn. Um ano depois, voltei para o Brasil com o firme propósito de ter a Fotografia como profissão.

JN: Você foi um dos primeiros fotógrafos a migrar para o mundo digital, nos dias atuais lançou um APP e transformou seu livro num eBook. Poderia comentar um pouco sobre sua relação e pioneirismo nos meios digitais.

MM: Nos anos 80,tive a sorte e o privilégio de participar dos primeiros estágios da computação gráfica. Atraído pela estética dos videogames, comecei a estudar maneiras de interferir digitalmente em imagens fotográficas. Meu primeiro microcomputador, um Atari 800, foi importante para a compreensão dos fundamentos da imagem digital.

A evolução rápida da tecnologia logo me levou, em 1985, a trabalhar com um Mindset, máquina que tinha uma placa gráfica capaz de digitalizar imagens de vídeo e software adequado para manipulá-las.

No momento, experimento a viabilidade dos eBooks como alternativa de baixo custo para a circulação da Fotografia.

Desenvolvo também, em parceria com a fotógrafa Marcia Ramalho, um aplicativo fotográfico para iPhones, o The Cool Cam.

JN: O que podemos esperar no futuro do fotógrafo autoral, publicitário, e empreendedor digital?

MN: A evolução tecnológica que eu citei acima não para de acelerar. Dá pra imaginar, num futuro próximo, CCDs revestindo lentes de contato, comandadas via bluetooth pelo fotógrafo, que passaria a criar imagens simplesmente com os olhos.

Para se destacar em meio à inevitável massificação da produção de imagens, o fotógrafo autoral vai precisar, cada vez mais, imprimir em seu trabalho uma marca pessoal única e inconfundível.

Para a fotografia publicitária, que hoje se resume às colagens digitais com overdose de pós-produção, espero, nostalgicamente, que a gente possa testemunhar a revalorização das imagens orgânicas e a recuperação do papel criativo do fotógrafo.

Algumas fotografias de Milton Montenegro estão no acervo da FOTOSPOT, e a sua fotografia Folon II faz parte Leilão do Paraty em Foco 2016 que acontece até domingo em Paraty, Rio de Janeiro.

Galeria de Fotos: Milton Montenegro

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